Há dias em que tudo corre bem. Mas também há dias em que tudo corre mal. De certa forma, ambos os casos ocorreram ontem, no Estádio do Algarve, no embate que colocou frente-a-frente Moreirense e Benfica.

Quando Salvio introduziu a bola na baliza de Makaridze, aos 6 minutos de jogo, poderia-se pensar que o jogo seria relativamente fácil para os encarnados. O Moreirense estava com vários jogadores menos utilizados em campo e os primeiros minutos foram de total domínio benfiquista.

A primeira parte só teve um sentido. Não fosse Makaridze e a equipa lisboeta poderia ter acabado com a meia-final nos primeiros 45 minutos. Augusto Inácio teve noção disso e fez, ao intervalo, duas alterações na equipa, colocando em campo Fernando Alexandre e Dramé. Seriam essas alterações a mudar o rumo do jogo.

Ainda não tinha passado um minuto de jogo e o Moreirense empatava a partida. Dramé, depois de um grande passe de Francisco Geraldes, finta Ederson e remata para a baliza encarnada. A pouca força que a bola levava surpreendeu Lisandro e André Almeida que acabaram por não conseguir cortar a bola. Na sequência do lance, o central argentino lesionou-se ao chocar contra o poste e acabou mesmo por ter que sair.

O Benfica perdeu o controlo emocional do encontro e nada lhe corria bem. As desatenções eram muitas, as faltas desnecessárias (e consequentes cartões que até poderiam ter resultado em expulsões) apareciam igualmente em grande número e foi numa destas faltas desnecessárias que surgiu a reviravolta no marcador. Lance de laboratório por parte da equipa de Moreira de Cónegos, Geraldes coloca a bola no segundo poste onde livre de marcação, depois de Eliseu ter sido derrubado, Cauê cruza para a zona de finalização onde Boateng só tem que encostar.

Os tricampeões nacionais arriscavam tudo e procuravam de todas as formas os caminhos para a baliza do Moreirense. No entanto, o espaço deixado na defesa era muito e os comandados de Augusto Inácio sabiam-no. Sucediam-se as oportunidades de parte a parte e aos 71 minutos, o impensável para muitos acabou mesmo por acontecer.

Perda de bola inexplicável de Jardel à entrada do meio-campo adversário, Podence com um grande passe isola Boateng que à saída de Ederson não vacila. Ficam, no entanto, muitas dúvidas quanto à posição de Boateng, antes da sua desmarcação.

O Benfica fazia o ‘tudo-por-tudo’ e se até então já tínhamos assistido a um ‘concerto’ de oportunidades falhadas, o que se seguiu foi um autêntico ‘festival’. Jonas foi o principal protagonista, disputando com Makaridze e com os postes duelos bastante interessantes. O número 1 da formação nortenha voltou a demonstrar todo o seu (enorme) talento com defesas seguras e, por vezes, de elevado grau de dificuldade. E quando não estava lá o georgiano, estavam os ferros da baliza a salvar os axadrezados verdes e brancos.

O apitou final acabou por chegar numa altura em que já havia pouco tempo útil de jogo. O Moreirense fez história de forma dupla: por vencer pela primeira vez o Sport Lisboa e Benfica (!) e por garantir a primeira presença de sempre numa final da Taça da Liga, onde vai disputar o troféu com o Braga. O Benfica lutou muito mas o desperdício encarnado impediu a equipa de Rui Vitória de lutar pela conquista da 10ª Taça da Liga.

Anúncios