É necessário mudar muita coisa. O jogo da primeira jornada da fase de grupos da Liga dos Campeões 2017/2018 veio confirmar isso. Se ainda dúvidas restavam depois dos jogos frente a Rio Ave e Portimonense, o encontro frente ao CSKA serviu para se retirarem quaisquer dúvidas que pudessem haver. Rui Vitória tem muito trabalho para fazer e o Benfica precisa de se revitalizar (talvez não apenas em forma de jogar).

Era fácil apontar culpados nesta estreia desastrosa do Sport Lisboa e Benfica, na Champions. A equipa de arbitragem não teve uma noite (de todo) feliz e acabou por ter influência no marcador.

O Benfica começou a dominar mas era o CSKA quem conseguia criar situações de maior perigo. Bruno Varela viu a sua baliza ser ameaçada por várias ocasiões. Os encarnados controlavam a posse de bola, mas viam os espaços serem fechados constantemente. O esférico era deambulado de um extremo ao outro do terreno, mas o perigo só aparecia quando “a lei da bomba” era solicitada. Foi assim que Grimaldo ia levantando as bancadas da Luz por várias vezes. Numa delas, as intenções esbarraram no poste.

O reatamento trouxe um Benfica igualmente controlador, mas desta feita mais eficaz. Zivkovic, numa das muitas vezes em que procurava acelerar o jogo (dos únicos a procurar tal coisa), cruzou rasteiro de forma mortífera para Seferovic apenas ter que desviar para a baliza russa. 1-0, inaugurado o marcador na Luz e o suíço voltava a faturar em estreias de competições pelos encarnados.

O Benfica continuava com maior ascendente na posse de bola e tinha o jogo aparentemente controlado. Aparentemente…

O CSKA cresceu e ia obrigando Bruno Varela a tornar-se numa das figuras do encontro. O empate surgiu na sequência de um canto, onde André Almeida vê ser-lhe assinalada falta na grande área por pretensa mão na bola. A bola toca, efetivamente, no membro do português, mas este tinha o braço encostado ao corpo, pelo que é erradamente assinalada grande penalidade. Vitinho aproveitou a oferta e estoirou sem hipóteses de defesa para Varela.

Cinco minutos volvidos e a Luz gelava com a reviravolta: Zhamaletdinov aproveitou uma (grande) defesa incompleta do guardião encarnado para colocar os russos, pela primeira vez, em vantagem no encontro.

Até ao final, muita pressão benfiquista, mas pouco discernimento. Displicência em algumas bolas perdidas, pouca intensidade e muita troca de bola que servia para pouco ou nada. O tempo escasseava, o resultado não servia e os jogadores encarnados trocavam a bola para o lado e para trás. Faltava verticalidade no jogo, bem como uma melhor ligação entre os médios e os avançados. Na retaguarda, o habitual buraco entre linhas…

Muita coisa a mudar para os jogos que se avizinham e frustração foi o que os quase 40 mil espetadores presentes na Luz levaram deste encontro. O Benfica podia e devia ter feito mais, tendo capacidade para tal. Os encarnados não perderam apenas um jogo: complicaram (e de que maneira) a sua tarefa consistente na continuidade na liga milionária e desperdiçaram os 3 pontos mais acessíveis de serem conquistados, teoricamente.

 

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